21/02/2017

Vícios

Focus Photography of a Ignited Firewood

Fagulhas esvoaçavam alto no céu. O cabelo certamente não amanheceria com um cheiro muito agradável no outro dia. O crepitar inconfundível do fogo ávido consumindo celulose recente era apaziguador. Já passavam das duas da manhã de uma madrugada gelada. Eu mal sentia a ponta dos dedos. Um garrafa térmica com chá de erva-doce aqui, canecas por ali e todos meus amigos dormindo em seus colchões infláveis ou em suas barracas improvisadas. O mar, tempestuoso, ainda bradava os sussurros ensandecidos de um dia anterior cheio de visitantes bêbados e de jovens risonhos. A lua cheia ainda brilhava lá no alto, contrastando o brilho cálido com as ondas revoltas do oceano. Eu sentada sobre meu colchão, envolvia meus joelhos, sentia o cheiro de sal nos meus cabelos, sentia frio e calor ao mesmo tempo. Estava cheia de mim. Não num sentido pejorativo, mas num sentido que faz a gente se sentir completa. Num momento em que a gente só precisa da nossa própria companhia.

19/02/2017

Publique seu conto sobre o fim do mundo no livro "Extremo"


Quando eu falei no post Boas Coisas Acontecem sobre o meu conto que foi aprovado para a coletânea de contos sobre amor, eu falei por cima sobre a Andross Editora e especificamente sobre o livro Sem mais, o amor, mas atualmente eles estão com nove coletâneas com o mesmo prazo para recebimento de textos (até 30 de abril) e a mesmo previsão de lançamento, em outubro.

A editora já publicou coletâneas que reuniam contos de diversos gêneros e voltaram agora com o tema apocalíptico através do livro Extremo. Se você tem uma ideia legal para escrever um conto sobre o fim do mundo, chegou a oportunidade para publicá-lo em um livro! Você pode participar da coletânea EXTREMO - CONTOS SOBRE O FIM DO MUNDO, organizada pelo escritor Alex Mir. Qualquer pessoa pode participar. Para submeter um texto à avaliação, basta acessar o site da editora em www.andross.com.br.

17/02/2017

Quadro Clínico


Se possível, leia ouvindo.

Estava ela lá de novo, sentada sob a sombra da macieira que adornava o quintal de sua casa. Da visão da minha janela, o sol das cinco se punha atrás de si, lhe trazendo uma leve aura cálida, que irradiava ao seu redor. Sua silhueta pequena curvada sobre o livro tentava desajeitadamente organizar os fios de cabelo que teimavam em desalinhar-se de seu rosto. A irmã pequena ainda se balançava forte do outro lado da árvore. A casa amarela continuava naquele tom queimado, que logo precisaria de uma demão nova de tinta. Dona Clarinda viria em poucos minutos chamar as filhas para entrarem, seguido de um abraço caloroso e risinhos que as acompanhariam até o bater da porta de entrada. Pouco depois viria o cheiro de café coado e pão tostado com manteiga e então viria a calmaria.