17/09/2017

Reclama do filme, mas respeita a trilha sonora


Sempre quando falam mal de Crepúsculo se utilizando daquele praticamente único motivo de "qualé, qual vampiro brilha no sol?", eu ainda sinto a ponta da língua dar uma coçada pra ir lá defender a Stephenie, o ponto de vista dela, por ela ter criado uma outra versão da lenda, de que não existem vampiros de verdade então qualquer um pode inventar o que quiser sobre eles e blá-blá-blá. Só que no fundo eu me seguro, porque acho que já passou da idade de eu ficar discutindo sobre a preferência alheia de filmes ou séries e porque eu tenho que entender que opinião cada uma tem a sua.

Mas se tem uma coisa que eu não aceito que reclamem é da trilha sonora de toda a saga. Especialmente do terceiro filme/livro, Eclipse, que pra mim, de longe ganha disparado como a melhor seleção de todos os filmes, apesar de não ter a mesma opinião sobre o filme em si. Então, quando eu vi a blogagem coletiva do grupo Blogs Up que sugeria um post com playlist de filme ou série, eu já senti no coração qual seria o meu escolhido. Aquela saga maravilhosa que definiu toda a minha preferência musical. Tarefa difícil, mas consegui escolher minhas músicas preferidas para postar aqui.

Café requentado

 
Era a oitava vez no dia em que pensava sobre o dia anterior. Sob o tampo da mesa de centro estava a xícara de café requentado, uma revista de fofocas entreaberta e seus pés cansados envolvidos numa infantil meia de lã. O brilho luminoso do decodificador da televisão marcava duas horas da manhã e ele, olhando fixamente para o teto verde água, já havia perdido as contas de quantas vezes viu os faróis dos carros lá embaixo que reluziam nas paredes do apartamento atravessadas pelo vidro da janela.

Um gato miou no apartamento vizinho e ele saiu do transe em que estava para ouvir a filha de dois anos ressonar risonha em seu quarto. O berço de madeira barata rangeu reclamações sob o peso da criança antes que tudo se acalmasse novamente. O silêncio da madrugada o cercou intenso e houve um pequeno sobressalto quando uma brisa fria cruzou parte da cortina que cobria a janela e fechou repentinamente a revista sobre a mesa.

10/09/2017

Ainda bem


Ouça enquanto lê Ainda Bem da Marisa Monte

Eu quase cheguei a desacreditar no amor. Os textos sobre ele se tornaram escassos, os suspiros de felicidade diante de casais apaixonados rarearam e até as músicas melosas daquela pasta vergonhosa que ocupavam parte do disco rígido do meu computador não eram mais tocadas. Se antes o amor era visto até no raiar do dia, o cinza pálido tomou conta da minha visão quando passei a assumir tudo apenas como dádivas do ciclo natural das coisas. Assim, gradativamente, o amor foi se perdendo em si mesmo, sucumbindo aos desejos do fracasso, à força da opressão e ao impulso do medo. Foi isso que mais senti quando quase cheguei a desacreditar no amor. O medo do futuro que se abre. Inexplorável. Ameaçador. Como acreditar em algum sentido da vida sem o amor?

De cabeça baixa, andando pelas ruas num corpo quase inerte enquanto ventos ruidosos chacoalhavam meus cabelos, eu sentia que mesmo de mãos fechadas, o amor escorria pelos meus dedos rumo a um destino sem volta. Sem sua crença, ele não existira, eu não seria eu. Mas então, como que por intervenção divina, você apareceu. Todo sorrisos, conversas inteligentes e perfume amadeirado. E de repente, o amor enroscou-se em meus dedos e se fixou como quem não quer sair de perto. E o raiar do dia, aquele que eu já tinha passado à ver pelo lado científico, tornou-se lindo. Virou amor. E eu me tornei toda feita de amor. Éramos ambos amor. Ainda bem que você chegou, senão não haveria esse texto, não haveria eu, não haveria sentido. Eu quase cheguei a desacreditar no amor. Ainda bem que você chegou a tempo.