22/10/2017

Uma Taverna Medieval no meio da selva de pedra

Com pouco mais de um ano de existência, a Taverna Medieval já conta com mais de mil comentários no Google e uma ostensiva nota de 4,7 estrelas. A dez minutos à pé da estação Vila Mariana, uma hamburgueria temática da Idade Média é algo que eu não poderia ter imaginado que existisse se não fosse, também, por indicação e convite da Andross Editora, que organizou e reservou entradas para uma confraternização entre autores das coletâneas literárias no dia anterior ao evento Livros em Pauta.

Eu não costumo ser o tipo de pessoa que mais sai para comer fora por motivos de ser anti$$ocial, se é que me entendem. Mas quando eu fiquei sabendo que haveria uma confraternização antes do dia oficial do lançamento das coletâneas eu decidi que queria mesmo participar. E o que partiu de uma vontade maior de interagir com os outros autores e parte da equipe da Andross, acabou se tornando uma experiência muito positiva e divertida. Mais um lugarzinho de SP pra marcar no Google Maps!

15/10/2017

Como foi publicar pela Andross Editora?


Quero começar o post pedindo desculpas de novo pelo sumiço dos últimos dias. Minha vida tem sido uma correria nessas últimas três semanas. Trabalho de faculdade, processos seletivos de estágio, entregas de convites pro lançamento do livro... Tanta coisa que eu mal percebi os dias se passarem. Sem contar que a última postagem ainda foi um repost porque eu sequer tinha noção do que postar naquele dia. Eu não prometo voltar com a frequência assídua, mas pelo menos uma parte já se acalmou por aqui.

Eu não sei se vocês lembram, mas em fevereiro eu participei do Corujandross, um evento organizado pela Andross Editora que consistia em escrever das 22h do sábado até às 06h do domingo. A temática e os gêneros textuais eram livres e as oito horas de produção intensiva de escrita eram mediadas e intervaladas a cada meia-hora pelo editor-chefe da Andross, Edson Rossato. Do final disso, eu decidi enviar um dos três contos escritos nesse dia para a seleção das antologias que seriam lançadas esse ano. E deu certo. Papéis Picados foi escolhido pelo organizador Leandro Shulai para ser publicado no livro Sem Mais, o Amor, uma coleção literária sobre o amor em registros escritos.

01/10/2017

Velha história


Sob a touca cinza, possuía cabelos desgrenhados num tom cinza-claro que disputavam a cabeça enrugada com outros poucos fios marrons.  Os olhos azuis-piscina envoltos por pálpebras cansadas de anos de trabalho continham um brilho de realização. Andava com ajuda de uma muleta que em sua haste havia pequenas flores artificiais em tons lilás. "Só pra deixar a vida mais colorida", me dissera com um sorriso frouxo. Usava uma calça jeans desbotada que já mostrava marcas do tempo e algumas patinhas enlameadas aqui e acolá demonstravam que o senhor tinha um cachorro, que por sinal era muito bagunceiro. Nos pés, usava um All Star vermelho também com sinais de gasto: um notável rasgão despontava próximo ao calcanhar esquerdo e um remendo no pé direito havia sido feito com tecido xadrez e linha branca grossa, o que deixava sua aparência um tanto quanto cômica. Fazia frio lá fora e tentando vencer o vento gélido que teimava em nos alcançar, o velho usava um suéter de lã num tom marrom sujo, do tipo de quando a gente mistura várias cores pra ver no que dá.
Carregava uma pequena mala de couro à tira-colo e um radinho de pilha no bolso. Um colar de São Francisco ia no pescoço e uma barba curta terminava por descrever aquela figura desconectada da realidade do mundo moderno. Em plena sexta-feira, sentara-se ao meu lado no trem, e meio sem jeito, mas confiança na voz se apresentou.