Às vezes, sou parede. Recebo crítica na mesma medida que as rebato. Sigo firme, sólida, na rigidez do muro de concreto que não se abala. Nesses dias, nenhuma tempestade é capaz de atravancar o caminho da parede que teima em se conservar rígida em sua extensão. Mesmo com marcas de tempo, uns riscos, umas lascas caídas por chão, se mantém estável. Queria eu poder todos os dias ser parede.
Como quem não entende em que ponto há essa mudança na mente, tem dias que sou esponja. Um "bom dia" mais sério me despedaça. Uma discordância de ideias, uma desconfiança de capacidade. O suficiente para me desmontar inteira. Às vezes, sou esponja. Absorvo até o que não devia ser sentido como negativo. Inundada de tanta negatividade, me desabo em lágrimas. Sabe como é, esponja que precisa se esvaziar.
Psicologicamente inconstante. Mentalmente cansada. Seguindo em frente – enfrentando – porque não sobra muito para quem não tem escolha a não ser se manter forte. Mesmo que doa e pareça dilacerar cada pedacinho por dentro. Num mundo ideal eu permaneceria parede o tempo inteiro. Eu sorriria para qualquer adversidade. Eu voltaria tranquila para a psicóloga dizer feliz que superei mais uma semana complicada.
Mas o mundo perfeito não existe. E, mesmo que exista, está distante demais para todos nós. Amélie ouviu que "são tempos difíceis para os sonhadores". Vou além da frase. São tempos difíceis para todos que, de muros, se tornam esponjas num estalar de dedos. Para todos aqueles que sentem cada mudança com tanta intensidade quem choram de rir, choram de medo, choram de nervoso, choram pela necessidade de esvaziar-se. Dias de luta, dias de glória. Dias de riso, dias de lágrimas.
Muro esponjoso. Ora com a autoestima elevada, ora se deixando levar pelo menor comentário alheio. Às vezes otimista com os dias futuros, mas quase sempre desacreditada se vale a pena mesmo continuar lutando. Luto que já é verbo para milhões de brasileiros pelo simples sentido de sair de casa para enfrentar uma rotina de trabalho, ganhou ressignificação nas últimas semanas. Difícil se manter parede já que, com maior frequência, o lado esponja tem se deixado absorver pelo mínimo dos mínimos.
Aí voltam as músicas depressivas. Voltam as lágrimas a rolar. Voltam as palavras que me servem de válvula de escape. Voltam todas as válvulas necessárias a cada um de nós, sonhadores dos tempos difíceis. Queria eu poder todos os dias ser parede. Queria eu ser forte todos os dias. Queria que a esperança se mantivesse aqui dentro, mas de vez em quando, o que bate forte – espanca até – é o desespero. A bandeira nacional devia ser toda amarela. Se não é oficialmente, a minha é. Um gigantesco muro esponjoso tingido de amarelo.* Prestes a absorver toda a negatividade, prestes a se desaguar, prestes a desabar.
*Caso alguém não tenha entendido a referência, é uma menção à Benedita da Conceição, aposentada que deu seu próprio significado às cores da bandeira nacional. O meme viralizou no início do ano passado e você pode conferir aqui pelo user do @luscas no Twitter.
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ResponderExcluirUm beijo!